Não mudou e acredito que não irá se alterar minha maneira de entender o atendimento a animais ,quer sejam de estimação ou não.Tanto faz se for cachorro,gato,cavalo ou passarinho,minha posição é que cada um tem seu lugar e seu ambiente específico,jamais usufruindo todos os elementos constantes de uma residência igual ou mais que o morador,humano no caso.É simples,bicho é bicho e gente é gente e estamos conversados.Entretanto ,isso não impede e nem interfere que ocasionalmente receba visitas esporádicas de um cãozinho que abrigo e atendo por alguns dias.Acho até que o atendimento dado à ele excede aquele que recebe na residência de seus donos(está faltando os xiitas caninos afirmarem que cachorro não tem dono,ele é seu próprio ) .Dentro desse quadro,eu que também gosto muito de cachorro,só que no pátio,exerço uma atividade que procura se adequar aquela que ele recebe na casa onde é seu habitat.E atendo e dou alimentação e passeio com ele.Num desses passeios pela área externa ao Condomínio ,como que se surgisse do vento uma moça se aproximou e encantada se acocorou e acariciou Jedai,esse o nome do moço,para logo após abraçá-lo e apertá-lo contra o peito.Ele ,acostumado com carinhos e atenções deve ter gostado ,até porque a referida donzela não era de se jogar fora,muito pelo contrário,bem interessante,muito comível até.Ela se ergueu e pediu desculpas pela intromissão ,explicando que até pouco tempo possuía um cão muito parecido e que havia sido atropelado por um descuido seu,culpa pela qual ela custava a se perdoar.Que eu entendesse aquele arroubo e não considerasse como outra coisa,apenas aquilo que ela havia explicado.A conversa se prolongou mais do que seria lícito esperar e adentrou por outros assuntos,tanto que dentro das circunstâncias do momento aconteceu o convite,com segundas e terceiras e quartas intenções e trocas de endereços,meu apto é número tal e bloco e tudo o mais referente ao bom relacionamento vizinhal futuro,já que não sou muito chegado em vizinhanças,vizinhas até que dou sorte(desde que a validade não esteja vencida ou prestes).E assim foi,cada um para seu lado , eu atender o que faltava para Jedai,que ainda não havia feito cocô e teria que juntar a bosta dele,logo eu que detesto essas frescuras.Acho que dois dias depois,já passava das 11 da noite e como costumo deitar sempre entre 1 e 2 hs estava bem desperto,quando fui surpreendido pelo toque da campainha.Sequer me passou pela ideia que a moça do cachorro ,como a qualifiquei ,estaria ali em minha porta com uma garrafa de vinho na mão e a expressão de tristeza,afirmando que estava com saudades do cachorro dela e se eu me importava que ela poderia vê-lo ,agora já até era meu o cão,e que podíamos aproveitar para conversar e tomar o vinho.Por um breve e fugaz momento lembrei de JCristina que havia me abandonado por razões fúteis e me disse porque não?É um prazer disse á ela,entre.Madrugada alta,quando ela foi embora eu lembro ter dito que na próxima vez não precisava trazer o vinho,eu tinha em casa.Chileno,claro.Jedai dormia há tempos ,escarrapachado em minha poltrona predileta.
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